Indústria quer melhorar a competitividade

Embora tendo apresentado uma queda na participação de vendas de 1,4% neste ano (janeiro até ontem, 29 de novembro) e ter ameaçada a posição de quarta maior montadora do País, a Ford está otimista com o mercado brasileiro. O presidente Marcos Oliveira disse que a Ford foi a marca que mais vendeu no Brasil na faixa de preços acima de R$ 50 mil, e que nos próximos anos vai atuar em segmentos de veículos leves onde hoje não atua, sem explicar exatamente em que categoria de carros a empresa vai apresentar novidades. Disse que, em cinco anos, os produtos Ford na América do Sul serão todos globais e que o crescimento previsto do mercado para o ano que vem, de 5%, é um bom crescimento, assim como será bom os 5% de aumento de vendas neste ano. Sobre o mercado total, Marcos Oliveira disse que 2011 tinha tudo para dar errado: crise na zona do euro, crise nos Estados Unidos, conflitos no Oriente Médio, tsunami no Japão. São fatores externos que influenciam no cenário doméstico, porque geram desconfiança, incertezas. Mas não foram suficientes para causar um tropeço no caminho que o Brasil leva adiante. O presidente da Ford traçou um quadro altamente positivo da economia brasileira e elogiou as ações do governo no setor. Para o dirigente, o cenário de incertezas causado pelas crises externas fez o governo tomar medidas que mantiveram a economia no rumo. "Os juros Selic cresceram e depois caíram rapidamente, o governo tomou a decisão correta no momento certo", disse, e foi além: "a inflação ia estourar, ia passar do limite estabelecido de 6,5%, o governo reagiu e agora já está sob controle". "As reservas cresceram, a taxa de desemprego é uma das menores da história. E o mais importante - acha Marcos - foi o governo fazer com que o consumidor mantivesse a confiança no País." Quando o consumidor começa a ter dúvida sobre o futuro, desconfia que pode ficar sem emprego, então ele para de comprar e a economia desacelera. Isso não aconteceu e garantiu o ritmo do consumo, explicou o dirigente. Para Marcos, crescer 5% é melhor do que crescer 30%: é mais saudável. É um crescimento sustentável e permite que os fabricantes façam um planejamento mais adequado. Mas (e lá vem o mas, para estragar tudo), o dirigente reclamou do custo de produção no Brasil e disse que a agenda do setor para os próximos cinco anos é "melhorar a competitividade": fazer mais com menor custo. Marcos repetiu a pesquisa encomendada pela Anfavea que mostrou um custo de produção de carros no Brasil maior que de alguns outros países. Enquanto a China tem um custo cujo índice é 100, na Índica o custo é 105, no México 120 e no Brasil 160. Mais: disse que a competitividade cresceu nos últimos cinco anos, por várias razões: Por tudo isso, mesmo após tanto elogio ao País, o presidente das Ford fez uma ameaça, dessas que os grandes fabricantes fazem de vez em quando para mostrar poder ao governo e à sociedade: "Como brasileiro, eu digo: não queremos abandonar a produção no Brasil". Como assim? Quer dizer que a Ford pensa nessa possibilidade? Se não for obtida a produtividade desejável fecharia suas fábricas no Brasil?
- aumento do preço da matéria prima,
- aumento do custo da mão de obra,
- gargalos logísticos por causa do crescimento do País. "O Brasil cresce mais rapidamente que a infra estrutura.
- valorização da moeda, que torna o produto brasileiro mais caro.
Joel Leite
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Por Joel Leite às 11h16


























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